Chet Baker (1929-1988)

Laurent Filipe Trio: Homenagem a Chet Baker

Tive uma vez a oportunidade de conhecer Chet Baker. Era um homem de tão poucas palavras que não me lembro sequer do que falámos.

Cada vez mais virado para si mesmo, Chet parecia estar permanentemente à escuta de um som interior.

À semelhança dos grandes artistas, toda a sua preocupação, e daí a sua arte, consistiu em transmitir cá para fora esse mesmo "som interior". Quer fosse tocando, quer fosse cantando (a diferença é a mesma), ao dar voz a esse "som", Chet reinventou as canções de Jazz ("standards"), envolvendo-as de um lirismo soprado, sofrido, e ao mesmo tempo cheio de beleza.

 

 
Há anos que presto tributo a Chet Baker e ao seu espírito musical, interpretando os seus temas "standard" favoritos. Canções tais como "My Funny Valentine" ou "Let´s Get Lost" são certamente mais conhecidas do grande público, enquanto que temas como "Everything Depends on You" poderão ter sido gravados apenas uma vez e interpretados menos vezes no âmbito do vasto repertório de Chet Baker.

A escolha dos temas a gravar não foi fácil e será, certamente, discutível. Creio no entanto que este Tributo não seria satisfatório sem temas tais como "But Not For Me", "The Touch of Your Lips" ou "You Don´t Know What Love Is", já que estes se transformaram numa parte inalienável da vivencia musical de Chet. Escrevi o tema instrumental de abertura "Ode to Chet" há vinte e cinco anos atrás e ainda gosto de o tocar. No tema "Chet Baker" tentei representar o ambiente e, de certa forma, a história da vida de Chet Baker.

Tal é o meu Tributo ao "rapaz de ouro" que jogou a sua vida a troco desse "som interior".

Laurent Filipe (Abril 2006)

 

 
Chet Baker (trompetista/cantor 1929-1988) 

Notas biográficas

Devido aos seus atributos físicos, envolvidos de uma atitude retraída e neo-romantica, Chet Baker é muitas vezes apelidado de "James Dean do Jazz". De facto, o seu estilo "cool", raramente acima de um mezzo-forte, a sua voz "soft" e simples, juntamente com um lirismo algo irreverente, valeram a Chet Baker o dominio da cena jazzistica dos anos 50, ao lado de grandes nomes como Charlie Parker, Gerry Mulligan, Stan Getz e Stan Kenton. Infelizmente, os anos 60 marcaram o inicio de uma queda em espiral para o mundo da heroina e de uma vida cujo estilo atribulado se tornaria numa forma de sobrevivência para Chet. Atravessou inumeras vezes o Atlantico, tendo gravado uma grande parte da sua discografia em França, Itália e Alemanha.


 
 
Após um desaparecimento de quase cinco anos, devido a um "ajuste" de contas de heroina, que lhe valeu a perda total dos dentes e um maxilar fracturado, graças á ajuda de Dizzy Gillespie, Chet reapareceu em força na cena musical em 1977 com o album "You Can't go Home Again". Surpreendente no seu aproveitamento de recursos melódicos, a abordagem de Chet a standards como "My Funny Valentine" e "But not for Me" tornou-se um marco de referencia na historia do Jazz.
Em 1988, tendo alegadamente "caido" da janela do segundo andar de um hotel em Amsterdão, Chet Baker morre de uma forma cujo mistério não foi ainda resolvido.

Para trás ficaram gravações memoráveis tais como: "Chet Baker Quartet Featuring Russ Freeman", "Chet Baker Quartet", "Chet Baker with Strings", "Stan Meets Chet", "Ballads by Chet Baker", "Chet Baker in Milan", "Cool Burnin" e "My FavouriteSongs".


 
 
 
 
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